Bom... Fernando Pessoa diz tudo...
Se eu pudesse trincar a terra toda E sentir-lhe um paladar, Seria mais feliz um momento ... Mas eu nem sempre quero ser feliz. É preciso ser de vez em quando infeliz Para se poder ser natural... Nem tudo é dias de sol, E a chuva, quando falta muito, pede-se. Por isso tomo a infelicidade com felicidade (COMO EU QUERIA Q ISSO FOSSE VERDADE) Naturalmente, como quem não estranha Que haja montanhas e planícies E que haja rochedos e erva ...
O que é preciso é ser-se natural e calmo Na felicidade ou na infelicidade, Sentir como quem olha, Pensar como quem anda, E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre, E que o poente é belo e é bela a noite que fica... Assim é e assim seja ...
Assim como falham as palavras quando querem exprimir qualquer pensamento, Assim falham os pensamentos quando querem exprimir qualquer realidade, Mas, como a realidade pensada não é a dita mas a pensada. Assim a mesma dita realidade existe, não o ser pensada. Assim tudo o que existe, simplesmente existe. O resto é uma espécie de sono que temos, infância da doença. Uma velhice que nos acompanha desde a infância da doença.
---------------------------------- De Tudo, Ficaram Três Coisas:
A certeza de que estamos sempre começando... A certeza de que é preciso continuar... A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...
PORTANTO DEVEMOS
fazer da interrupção um caminho novo... Da queda um passo de dança... Do medo, uma escada... Do sonho, uma ponte... Da procura... um encontro" ---------------------------
"Não. Não quero nada. Já disse que não quero nada. Não me venham com conclusões. A única conclusão é morrer. Não me tragam estéticas, não me falem em moral Tirem-me daqui a metafísica! Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas - das ciencias, deus meu, das ciências Das ciências, da artes, das civilizações modernas! Que mal fiz eu aos deuses todos? Se têm a verdade, guardem-na!
Sou técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica Fora isso, sou louco, com todo o direito a sê-lo Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
(...)
Deixem-me em paz. Não tardo, que eu nunca tardo. E enquanto tarda o abismo e o silêncio, quero estar sozinho.
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Quem me dera que eu fosse o pó da estrada E que os pés dos pobres me estivessem pisando... Quem me dera que eu fosse os rios que correm E que as lavadeiras estivessem à minha beira...
Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio E tivesse só o céu por cima e a água por baixo. . .
Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro E que ele me batesse e me estimasse...
Antes isso que ser o que atravessa a vida Olhando para trás de si e tendo pena ...
Escrito por Keka às 00h33
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